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sábado, 18 de maio de 2013

Produção textual 8

Estávamos todos lá. Era a chance de mudar a forma de governo do nosso pais. Éramos mais de 15 mil e meu companheiro de partido Douglas estava muito entusiasmado pela ideia de revolução. Mal sabia que, agindo daquela forma, ele poderia quebrar nosso sistema.
Tenho certeza de que se não fosse pelo companheiro Marcelo, ele não estaria aqui hoje. Nossa manifestação era pacífica, mas esses policiais repressores eram ignorantes e não conseguiriam aguentar nossos argumentos revolucionários.
Mais de 15 mil, homens e mulheres, mas todos ali tinham medo daquela prisão a qual não sabíamos direito o que era, mas sabíamos que lá estavam muitos companheiros. Nomes eram difíceis de saber já que muitos ali já haviam trocado os deles várias vezes.
Eu não entendia Douglas. Parecia que ele estava na manifestação para ser preso e realmente isso iria acontecer se não fosse por um ato rápido e ágil de Marcelo, para que nosso amigo não fosse preso. Marcelo foi um repreensor.

domingo, 5 de maio de 2013

Produção textual 7

Na ditadura você apenas olhava o que estava acontecendo. Respirar? Não sei... As pessoas estavam vivendo uma época que pode ser chamada de inferno. Falar? Jamais!
Estar andando na rua e do nada ser calado, capturado e preso. Isso era aquele inferno. Ser torturado e ainda não ter liberdade de expressão? Viver assim, apenas observando o que acontece, calado.
De uma hora para outra você está preso em algum lugar com pessoas que você não conhecia, mas sabia o que elas sentiam.
Ser torturado até a morte, ser jogado no meio da rua e ser dado como alguém que morreu atropelado. Preferia morrer do meu próprio veneno, como dizia Chico Buarque.
Ficar calado o tempo e depois ser torturado. A tortura já era ficar calado, já era viver naquela época, e logo depois ser torturado fisicamente. Já não era demais ter que suportar a dor sentimental? Para quem estava ali,   torturando, não.
Se hoje muitas pessoas são frias, não sabem o valor do amor ao próximo, se hoje somos mortos por bandidos sem motivos, imagine o que era viver naquela época. Realmente um inferno!
O pior de tudo é não poder fazer nada e vê-los se divertindo ao torturarem alguém na sua frente ou te torturarem... Não ter banho, talher para comer são coisas que hoje, para nós, são insignificantes, mas para quem estava preso significava tudo. Ter algum companheiro. São coisas pequenas a que eles davam muito valor.

Por: Débora Constantino

Produção textual 6

Eu estava lá, todo o tempo, ao seu lado, mas não pude fazer nada, só lhe acompanhar.
Às 11:05 da manhã, olhei para você, aquele rapaz tapando sua boca como se quisesse que você se calasse, mas não esqueço desse momento ou acontecimento até hoje.
Apenas fico pensando, ninguém mais poderá se expressar durante essa terrível época, a única lembrança que há lembrar de você, é aquela terrível imagem de você é aquela terrível imagem de você sendo calado naquela terrível época ditatorial  toda aquela multidão olhando você sento executado só porque você se expressou diante disso, nunca me esquecerei daquela terrível época.

Por: Nathan Alexandre

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Produção textual 5

Não poder fazer nada.
Estava na rua, andando, voltando do meu trabalho. Eu trabalhava no cartório e nesse dia tinha assinado e lido muitos papéis e estava muito cansado. Parecia que eu nunca tinha trabalhado tanto. E essa época era da ditadura, dias difíceis. Em 1955, eu tinha 25 anos. Estava quase chegando em minha casa quando me deparei com uma: um homem calando outro só porque ele fazia um discurso para poucas pessoas. Porém isso para a ditadura era demais. Eu fiquei olhando aquela cena e eu pensei: "Não posso fazer nada. Só assim evitaria acabar dentro de um caixão, como tantos homens que devem ter sido torturados por se negarem a entregar o seu grupo. E se algum deles falar? Ele com certeza iria morrer."
Nesse dia tinha um fotógrafo bem no local, ele tirou uma foto e eu sou o homem que estava olhando diretamente para a cena. Nesse dia eu voltei para casa revoltado por não poder fazer nada. Só podia ver e me calar. Nada mais. Hoje tenho 82 anos e só estou vivo pois não falei nada naquele dia.

Por: Rodrigo Costa

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Produção textual 4

O medo da verdade
Opressão. A primeira coisa que me vem à cabeça: a pessoa é obrigada a ficar calada. Uma só palavra define essa imagem: censura. Onde a pessoa é obrigada a aguentar tudo e ficar calada, ondem você sofre e não pode se defender, um lugar que você se sente diminuído, pois você tem que aguentar o sofrimento, angústia, amargura e também a solidão.
Acredito que a pior coisa é você não poder questionar; eu me ponho no lugar dessa pessoa e sinto amargura, me sinto na vontade de desabafar sabendo que não posso. Também me sinto na obrigação de me defender e de defender os outros, mas simplesmente não posso. Só iria causar dor e mais sofrimento.
Ao mesmo tempo, tenho muita raiva da pessoa que me cala,  mas posso sentir que essa pessoa também quer falar mas não pode.
De uma certa forma, vivenciar essa época deve ter sido a pior coisa que um ser humano pode ter vivenciado, uma forma de derrota, pois você está sendo dominado.
Ditadura. Uma palavra onde se encontra desespero, censura, opressão, sofrimento, ódio, mas tentamos, de alguma forma, encontrar qualquer coisa que nos dê sinal de esperança. Ao acabar esse pesadelo, é como se fosse um desabafo, sabendo que para chegar até ali foi um dos maiores sacrifícios. Agora, você fala o que te faz sofrer, o que te agoniza, pois agora não se encontra mais solidão nem sofrimento, pois não precisa mais tentar jogar algo através de músicas. Agora podemos nos libertar e dizer realmente o que nos irrita e nos faz ter mais medo. Podemos dizer a verdadeira realidade.

Por: Jhenipher Cordeiro

terça-feira, 30 de abril de 2013

Produção textual 3

Raiva era o que eu sentia. E a voz dentro de mim não se calava. Justiça era o que eu queria. A revolução borbulhava dentro de mim, corria como lava nas minhas veias, e era calado que eles pretendiam que eu acordasse?
Eu ergueria minha voz nem que fosse para a morte e no meio daqueles que me censuravam eu me sentia puro, por saber que, mesmo que ocultada, minha voz atingiria algum lugar.
Sentia-me deslocado, como uma aberração, ou então jorrando sintomas da ideologia comunista. Calaram minha boca naquele momento, mas não conseguiam me impedir de pensar e, de dentro do meu peito, gritar.
Mesmo que não transparecesse, a humilhação constate tinha o poder de fazer corar o mais valente dos homens e vulnerabilizar o mais duro coração.
Era ditadura, eles diziam, mas para mentes pensantes, um inferno literal. Dia após dia, uma chama de esperança insistia em renascer e a cada dia mais forte. Mas trazia consigo a pior dor, a dor de ficar calado.
Se respirasse fundo, podia sentir o cheiro da corrupção e de um sistema, aparentemente, inquebrável. Os dias aparentavam ser mais longos quando imaculados naquelas pequenas celas de tortura e humilhação, as vozes que clamavam por revolução eram obrigadas a se calarem.

Por: Aline Oliveira Tamasiro.

sábado, 27 de abril de 2013

Produção textual 2

Pessoas sendo presas por coisas que nem fizeram. Até quando isso? Estou preferindo fingir que não tenho conhecimento nenhum a ter uma atitude contra essa opressão.
Muito tempo já se passou e todos nós continuamos na mesma. Não podemos falar, agir, cantar, fugir... Não podemos fazer nada!
Ainda me lembro daquele dia em que vi meu amigo sendo detido pelos estúpidos policiais da época simplesmente por tentar se expressar. Que cena triste. Que cena vazia. Eu estava com medo de ser preso junto pois já imaginava o que iria acontecer comigo, morreria ao certo, assim como grande parte da população brasileira (a parte mais intelectual) havia morrido. Preferi ser ignorante.
Todos censurados. Tudo nas mãos do governo. Várias pessoas escondidas na escuridão da noite. Chega de torturas, chega desse Brasil! Espero aqui um futuro e um país melhor, com pessoas que têm voz, vez e lugar. Aguardo a tão sonhada e desejada liberdade.

Por: Maria Luiza Vieira  Nunes

Produção textual 1

A determinado tempo, havia a capacidade de haver uma humanidade sem direitos, sem opiniões porém com muitas ideias e muita esperança.
Por que a maldita repressão afetou um dia a nossa sociedade? Como se prolongou essa desumana situação?
Aquele difícil período em que não se sabia ao certo o que fazer. Mas as pessoas nem imaginavam como chegaram àquele triste momento.
Talvez aquelas atitudes de libertação geram a pura tensão da censura até compreenderem que tudo a volta está errado. Até enxergarem o sofrimento de muitas famílias, quando novamente poderem sair livremente na rua, com a certeza de voltarem bem à sua casa.
Finalmente tudo isso acabou, mas o que nunca irá terminar será o sofrimento ainda no coração de muitos.
Por: Emeni Said Shehade

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Imagem para análise.

Hoje, foi feita uma análise da foto abaixo, da época da ditadura e em seguida, a sala produziu textos que serviram para a "moldura" da foto.
As próximas postagens serão as produções textuais..

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cálice - parte 3

Continuando com a análise da música..

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano

  • Obrigação de ficar calado após passar por noites de tortura ou idealismo
  • Como ficar quieto com o que acontece;
  • Como segurar algo que é a realidade
 Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

  • Se por em risco para ver o que acontece
  • Sair do contexto
 Esse silêncio todo me atordoa

  • Sofrer
  • Tortura
  • Não falar nada
Atordoado eu permaneço atento

  • Estar alerta
  • Não entregar
  • Mesmo fora de si, não poder falar nada
Na arquibancada pra a qualquer momento 
Ver emergir o monstro da lagoa

  • Esperar o regime (ditadura) ser derrubado
  • Mecanismos
  • Falhas
  • Soluções
De muito gorda a porca já não anda (cálice)

  • Poder "podre"
  • Corrupção
  • Tanta coisa errada que o governo fica na mesma
De muito usada a faca já não corta

  • Não combate nada
  • O que mantinha as coisas em ordem já não funciona mais
  • Inoperância
  • Nada corta o mal pela raiz
Como é difícil, Pai, abrir a porta (cálice)

  •  Se livrar do sistema
  • Saída do contexto violento
  • Entrada para um novo tempo
Essa palavra presa na garganta

  • Livre expressão
  • Querer falar, mas não poder com medo
Esse pileque homérico no mundo

  • Remete a Homero
  • Intensidade
  • Embriaguez
De que adianta ter boa vontade?

  • Cansaço
  • Não poder fazer nada
  • De que adianta querer e não poder fazer?
Mesmo calado o peito resta a cuca

  • "Posso não 'sentir' mas posso pensar"
  • Mesmo sem liberdade o homem não perde a mente
 Dos bêbados do centro da cidade

  • Loucura / estar fora de si
Talvez o mundo não seja pequeno (cale-se)

  •  Esperança
  • Dúvida
  • Talvez haja mudança
Nem a vida seja um fato consumado (cale-se)

  • Uma vida imposta
  • Rebaixamento da vida a um status de pequena importância
Quero inventar meu próprio pecado (cale-se) 

  • Autorreconhecimento
  • Valorização de si
  • Criar as próprias regras
Quero morrer do meu próprio veneno (cale-se)

  • Ser culpado pelo o que EU fiz
  • Ditadura
Quero perder de vez tua cabeça (cale-se)

  •  "Falando" com a ditadura
  • Perder a "prisão" ditadura
Minha cabeça perder teu juízo (cale-se)

  • Perder a ditadura
  • Julgamento
  • Liberdade
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (cale-se)
Me embriagar até que alguém me esqueça (cale-se)
  •  Alucinação
  • Fingir para continuar atento 

Cálice - parte 2

A música começa com: 
Pai! Afasta de mim esse cálice 
 que, teoricamente, representaria:
  •  religiosidade (remetendo à bíblia : Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. 
    Marcos 14:36) 
  • agonia; sofrimento
  • censura (cálice - cale-se)
De vinho tinto de sangue

  •  sangue das vítimas, dos mártires, de quem sofre.
Como beber dessa bebida amarga

  • Como aceitar a situação, como passar por esse sofrimento 

Tragar a dor e engolir a labuta? 

  • Dor
  • Aceitar um trabalho desumano
  • Aguentar a imposição
  • Aguentar a dor sem falar nada
Mesmo calada a boca resta o peito

  • Mesmo com limitação ainda abriga no peito a vontade/ a voz que não quer falar
  • Censura
  • Peito = abrigo da poesia
  • Resta a vontade
Silêncio na cidade não se escuta

  • Querer falar mas não poder
  • Censura
  • Vontade
De que me vale ser filho da santa?

  • Ser bom
  • Sofrer sem ter feito nada
Melhor seria ser filho da outra

  • Revolucionário
  • Rebaixamento da  pátria
  • Melhor "correr atrás" do errado
Outra realidade menos morta

  •  Realidade que não age, não reage
  • Presos em uma condição
  • Realidade estática
Tanta mentira, tanta força bruta

  • Milagre econômico
  • Imposição 

sábado, 20 de abril de 2013

"Os primeiros tempos"

Ontem, durante as aulas de Língua Portuguesa e Artes, discutimos sobre o poema "Os primeiros tempos"  de Alex Polari, que relata como eram as coisas na prisão da época da Ditadura no Brasil.

"Não era mole aqueles dias
De percorrer de capuz
A distância da cela
À câmara de tortura 
E nela ser capaz de dar urros
Tão feios como nunca ouvi
Havia dias  que a pirueta do pau-de-arara
Pareciam ridículas e humilhantes;
E, nus, ainda éramos capazes de corar
Ante as piadas sádicas dos carrascos
Havia dias em que todas as perspectivas
Eram para lá de negas
E todas as expectativas
Se resumiram à esperança algo cético
De não tomar pancadas e nem choques elétricos
Havia outros momentos
Em que horas se consumiram
À espera do ferrolho da porta que conduziam
Às mãos  dos especialistas
Em nossa agonia
Houve ainda períodos 
Em que a única preocupação possível
Era ter papel higiênico
Comer alguma coisa com algum talher
Saber o nome do carcereiro do dia
Ficar na expectativa da primeira visita
O que valia como um aval da vida
Um carimbo de sobrevivente
Em um status de prisioneiro político
Depois a situação foi  até melhorando
E foi até possível sofrer
Ter angústia, ler
Amar, ter ciúmes
E todas as bobagens amenas
Que aí fora reputamos 
Como experiências cruciais"